Calvin, a Universidade e o Princípio Pedro Pipa

Fazia uns meses que eu estava pensando de publicar essa tira — clássica — do Calvin. Sempre me lembrava de um antigo texto de Robert Darnton, chamado Publicação: Uma Estratégia de Sobrevivência para Autores Acadêmicos, no livro O Beijo de Lamourette (Companhia de Bolso, 400 págs., R$ 29). O nome  do texto já é uma gozação com a mania acadêmica de fazer títulos com aliterações e dois pontos — Calvin chega perto dessa fórmula. O historiador, ex-membro do conselho da editora universitária de Princeton, se diverte apontando o predomínio do p nos títulos e a passagem da aliteração do título principal para o subtitítulo, coisa que chamou de “Princípio Pedro Pipa”. Assim:

Perigo, Pestilência e Perfídia: A Formação da Lucknow Colonial, 1856-1877

Paxás, Peregrinos e Grupos Provinciais: O Domínio Otomano em Damasco, 1807-1858

Pintura e Punição: A Arte a Serviço os Processos Penais Durante a Renascença Florentina

Trocando as letras (m, l e r também faziam sucesso), mas sem nunca abandonar os dois pontos, outras estratégias eram (são) bastante comuns, como ir do grande (ou grandiloquente) para o pequeno — mais ou menos o que Calvin faz acima e como é demonstrado no que se segue, um dos meus preferidos:

Bebida e Bagunça: A Reforma Pela Sobriedade em Cincinatti Desde o Ressurgimento Washingtoniano até a ATCM (Associação da Temperança Cristã da Mulher).

E há sempre o samba-do-crioulo-doido à maneira Calvin, só para fazer cortina de fumaça:

Marxismo e Dominação: Uma Teoria Psicanalítica Feminista Neo-Hegeliana das Liberações Sexuais, Políticas e Tecnológicas.

Duvidam? Façam uma pequena pesquisa nos livros de ciências humanas em circulação, especialmente os de acadêmicos. Alguns, naturalmente, são ótimos  e claríssimos — eu poderia citar vários. Mas poderia também mencionar outros tantos que não ficam nada a dever à retórica de Calvin.

(Publicado em 31/3/2011)

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