A vida em super 8

O clipe da música Postcards From Italy com imagens de filmes Super 8, da banda Beirut (uma dica preciosa da Flávia, thanks), já é um pouco antigo, mas é um dos exemplos mais bem-acabados de como as mídias podem absorver e reproduzir (com o tempo) um complexo de afetos. E como, por isso, adquirem um valor estético que não pode ser reproduzido em outras tecnologias.

Isso se aplica ao cinema em preto-e-branco, ao sépia de fotografias antigas, ao som de uma agulha riscando o vinil e, naturalmente, à imperfeição dos filmes Super 8 caseiros e mudos. Ok, são todas coisas antigas, mas as sensações que elas proporcionam não advêm, necessariamente, de uma renitente nostalgia: antes, todas elas nos dizem que há maneiras alternativas de experimentar o mundo. A imagem em alta definição e o som digital surround são sensacionais, mas eles não têm – como nenhuma tecnologia, nova ou velha — o monopólio dos nossos sentidos, das nossas memórias e dos nossos desejos.

O fato é que, na edição familiar e na brevidade das cenas em Super 8, o ser humano parece ser melhor do que realmente é. Na luz fria da película, parece se esconder um segredo de felicidade. Nessa espécie de fotografia em movimento, ditada pela economia de uma mídia cara e de tempo limitado, a vida parece ser melhor para quem está lá dentro. Tudo “parece”, e certamente trata-se de uma percepção ilusória. Mas o realismo, como já dissemos, não é tudo.

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