Depois daquele beijo – parte 2

(Continuação)

Diante desse depoimento, uma sequência possível da história de Berman pode ser encontrada décadas depois, quando ele, “com 30 anos”, em meio à guerra do Vietnã, achava que o amor livre era uma “grande mentira”. É justamente um veterano dessa guerra quem vai apresentar uma Nova York sombria e distorcida, sinal dos novos tempos, distante do idílio de 1945-1949. Em Taxi Driver (1976), de Martin Scorsese, Travis Bickle (Robert De Niro) não é marinheiro, mas serviu como fuzileiro naval —um mariner sem nenhum comitê de boas-vindas na sua volta nem chance de encontrar a graça da cidade. Insone, deslocado e desastrado, ele também fracassará em conquistar a sua “enfermeira” – no caso, Betsy (Cybil Shepperd, belíssima). Se questionado, Bickle certamente acharia também o amor livre uma “grande mentira”. Resta a violência.

O filme começa dentro o táxi de Travis Bickle. (…) O público sente-se confortavelmente envolto na clássica paisagem de Times Square, o mundo projetado pela primeira vez por Vincent Minelli para Um Dia em Nova York, da MGM. Mas então ele chega ao dance, e é quase como um choque. De repente a rua salta contra ele: a cor básica torna-se amarelo berrante, os movimentos da câmera se aceleram e se tornam irregulares, a rua  parece destilar gente, todos parecem quase nus, andam sinuosamente e sacodem os corpos de um modo provocador uns para os outros e também para o mundo.”

(Continua)

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