O ladrão inocente

Num dos momentos mais divertidos, bem escritos e cruciais de Solar, romnace de Ian McEwan, o protagonista canalhão, Michael Beard, trava com um estranho uma batalha pelo conteúdo de um saco de batatas fritas, que ele, segundo pensava, tinha acabado de comprar. Os oponentes se revezam, em silêncio ameaçador, em pegar as batatas do saco. Estão os dois num trem, o inimigo é um tanto intimidador, mas Beard, com seus 50 e poucos anos, está num daqueles momentos em que as pessoas preferem um olho roxo à dignidade vilipendiada.

Não contarei o desfecho da história — apenas menciono que, pouco depois, Beard será informado que ela pertence a um rol de lendas urbanas sobre o “o ladrão inocente”, tendo já aparecido, com variações, em jornais, romances e filmes. Um deles é o curta-metragem The Lunch Date (1989), de Adam Davidson, que recebeu, em sua categoria, a Palma de Ouro em Cannes em 1990 e, no ano seguinte, o Oscar. Para quem não viu, vale gastar os 12 minutos do vídeo para se divertir e, de quebra, entender um pouco mais da questão moral presente em Solar.

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