Why you so serious?

Com a devida licença pelo assunto mais pop que o habitual nestas plagas, a pergunta do Coringa de Heath Ledger em Cavaleiro das Trevas poderia servir para quase toda a recente geração de super-heróis do cinema — inclusive de filmes que nem estrearam, como os acima. Cartazes e fotos de divulgação de produções como essas, de orçamento e expectativas de bilheteria milionárias, costumam ter uma dúzia de variações, mas quase sempre há uma — pelo menos uma — em que o herói posa entre pensativo e melancólico.  Muitas vezes, deprimido mesmo. Não era nada habitual nem nos comics originais de décadas atrás nem nas primeiras produções de cinema. Esse papel cabia a alguns policiais durões e pistoleiros do velho oeste, mas quase nunca para esse povo de colante colorido.

Alguém já escreveu (Umberto Eco, talvez? Não lembro) que a cultura contemporânea — mesmo a do mais puro entretenimento — perdeu aquele ímpeto otimista do para-o-alto-e-avante. E já faz um tempinho: os entendidos sabem que essa mudança no semblante heroico começou nos próprios quadrinhos — eu mesmo, um quase-ignorante no assunto, lembro bem quando Frank Miller, uns 30 anos atrás, devolveu Batman às trevas em que ele se encontra agora no mundo cinematográfico. E com a qual todos parecem querer flertar.

8 comentários

  1. Almir,
    talvez o que a sua “quase-ignorância” lhe tenha permitido passar despercebido, foi o fato de que (ao menos no que se refere aos herois dos posters mostrados) trata-se de indivíduos amargurados por perdas, por escolhas erradas irreparáveis, em busca encontrar um lugar para si na própria sociedade, em busca de si mesmos ou em busca de redenção.

    O Capitão América luta para se adaptar a uma sociedade onde todos os seus amigos e parentes estão velhos ou mortos, num mundo em que ele não conhece.

    O Homem-Aranha perde o único arquétipo de pai que vida lhe oferece após ignorar a responsabilidade imposta pelos poderes a ele conferidos ao fazer a pior escolha de sua vida. Ele jura tentar compensar o erro, escondido atrás de uma máscara de culpa.

    Thor, o arrogante e poderoso filho do deus Odin, trilha um caminho árduo como um mortal na Terra para aprender que a vida não gira em torno dele próprio.

    Superman vive solitário num mundo de papelão onde teme espirrar pois pode ferir alguém ou destruir algo ao seu redor. Nada nem ninguém se iguala a ele. É a sensação de um peixe viver fora de seu aquário.

    O Hulk é autoexplicativo: um indivíduo de mente extraordinariamente brilhante aterrorizado por uma contraparte bruta e descontrolada na mesma escala que o domina ao se aproveitar de um clímax emocional.

    Batman, amargurado pela perda dos pais, é um mortal sem superpoderes na finita busca de uma paz utópica por meio de terror e violência para levar todos os criminosos que puder a pagarem justamente sua dívida com a sociedade.

    O Mundo é cruel com todos e a vida lhes deu uma chance de amenizar essa crueldade para com aqueles incapazes de se defender.
    A julgar por estes 6 indivíduos e seus motivos, não me admira expressões de preocupação e moral baixa. Mas o heroísmo está lá, encrustado em seus espíritos. É isso que os move, é isso que os motiva.
    E um heroi sorridente, é um heroi sem trabalho a fazer.

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  2. Bem estou colocando um Fragmento de um texto que havia escrito há algum tempo atrás e acredito que cai bem por aqui :

    “O Homem, ser habitual e comum, sempre foi destinado a aceitar e tornar-se na vida um herói, mas nunca um Monstro. Este ser de desordem psíquica e caos. O Mito e a imagem do Monstro vêm desde a Idade Grego-romana, como parte da desordem e destruição, mas no mundo Contemporâneo esta “Besta” apesar de suas caractéristicas fortes e destruidoras, está sendo visto como parte integrante de todo ser “aparentemente” harmonioso e iluminado.

    Ele quem traz uma força sobrenatural, destruidora e revigorante para satisfazer um suposto “equilíbrio” físico(força), emocional(loucura,solidão…) e social(nesse caso o da tirania e a desordem social, no enfrentamento diante do mundo) é também a “cara-metade” de nosso Herói.

    A imagem do Herói é a magnitude em perfeição do que é ser um Deus, esta divindade sem erros, sem injustiça, misericordioso e harmonioso(aparentemente pacífico) é questionado pelo outro que o habita profundamente. Pois aquele ser escuro, perturbador e caótico, sendo e fazendo parte do interior do outro, deixaria de ser o oponente para se tornar parte vital e integrante do Homem(Herói) na vitória final (Bem x Mal). Esta é a mais difícil das missões que um herói pode ter, aceitar seus defeitos negando a sua imagem de perfeição infálivel. O Batman é dos grandes exemplos de herói deste tipo de combate(Exterior x Interior), pois suas falhas nem sempre visíveis(solitário,obscuro,violento,prepotente…), esquece que além de sua imagem heróica, ele é um simples ser humano (não Deus!) que está fadado a erros, e pode (não admitindo) também cometer falhas. (Não vem ao caso contar a trajetória de vida deste personagem, a discussão seria longa demais!).”

    Concluindo, os personagens atuais estão mais Humanizados do que Endeusados atraindo assim o homem contemporâneo para um reflexão acerca de si, através de seus atos e ideologias identificando-se com estes super-heróis do cinema.

    Abração! =D

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