O passado, as pessoas e os livros

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Uma das grandes sacadas de W. G. Sebald (sobre o qual não me canso de escrever) foi ter percebido o quão perturbadoras podem ser as fotografias muito antigas, misturadas a narrativas sobre memória e ruínas. É um efeito que — a mim, pelo menos — tem várias gradações: posso passar tranquilamente por paisagens ou lugares reconhecíveis, mas sinto um incômodo cada vez mais crescente quando surgem a) ambientes fechados sem ninguém b) pessoas anônimas. Se estiverem entretidas com algo, ok; se olham diretamente nos meus olhos, não muito ok. Jamais esqueço, em Austerlitz, de uma menina com um cachorrinho no colo, num lugar que, inundado por uma represa, não existe mais.

Para explicar melhor o que estou dizendo, garimpei as fotos da galeria acima no The Commons, que reúne um acervo excepcional dessas imagens perdidas no tempo. Todas as pessoas retratadas estão com livros — lendo ou posando com eles, por qualquer motivo. Tem um pouco de tudo, mas a maioria é de anônimos. Algumas leem. Algumas olham nos seus olhos.

Para ver em tela cheia, clique em FS. Para mais informações, em I. Se quiser ler o que mais escrevi sobre Sebald, clique aqui, aqui, aqui e aqui. Ou, melhor ainda, se quiser ler um novo livro do alemão, acabou de sair Guerra Aérea e Literatura (Companhia das Letras, 139 págs., R$ 39).

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