As esquinas dos pesadelos de Borges

Eu lia, outro dia, a conferência O Pesadelo (1980), de Jorge Luis Borges, integrante do volume Borges Oral & Sete Noites (Companhia das Letras, 216 págs., R$ 42). Nela, o escritor dizia que os seus pesadelos sempre eram os mesmos, com (previsivelmente) espelhos e labirintos, além de máscaras. Mas afirmava também que era característica deles o fato de terem uma “topografia exata”. Sonhava, por exemplo, com as esquinas Laprida com Arenales, na Recoleta, ou Balcarce com a Chile, em San Telmo.

Sei exatamente onde estou, e sei que devo dirigir-me a algum lugar distante. Esses lugares, no sonho, têm uma topografia precisa mas são completamente diferentes. Podem ser desfiladeiros, podem ser lodaçais, podem ser selvas, isso não importa: eu sei que estou exatamente em tal esquina de Buenos Aires. Procuro encontrar meu caminho.

Ainda que as imagens não importem (“elas são o de menos, são os efeitos”), fiquei curioso com as duas esquinas. Pesquisando, descobri que dez anos atrás o site Alamut (não mais ativo) teve a mesma curiosidade e postou fotos das tais — as duas abaixo. Mas acabei achando também essa acima de Balcarce com Chile, feita em 1936 pelo incrível Horacio Coppola. A esquina me pareceu suficientemente sinistra para engendrar pesadelos, com o anúncio de Crush e tudo o mais.

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