Depois do clímax, sem anticlímax

Mais um da série de romances com começos que são uma pancada. O trecho abaixo é o primeiro parágrafo de As Virgens Suicidas, de Jeffrey Eugenides, que acaba de ganhar uma nova tradução no Brasil, de Daniel Pellizzari (Companhia das Letras, 232 págs., R$ 39,50). E como neste caso a noção de spoiler obviamente não se aplica, segue acima a cena final da já longínqua (1999) adaptação do livro para o cinema, filme com que a diretora Sofia Coppola começava a desfazer a má impressão que tinha deixado, como atriz, em O Poderoso Chefão 3.

Na manhã em que a última filha dos Lisbon resolveu que tinha chegado sua hora de se suicidar – foi Mary desta vez, e remédios para dormir, como Therese – os dois paramédicos chegaram à casa sabendo exatamente onde ficava a gaveta de facas, o forno a gás e a viga no porão, na qual era possível atar uma corda. Saíram da ambulância, em nossa opinião com a lerdeza de sempre, e o gordo disse baixinho: “não estamos na TV, pessoal, isso é o mais rápido possível”. Carregando o peso do respirador e da unidade cardíaca, passou pelos arbustos, que tinham crescido até ficarem monstruosos, e cruzou o gramado exuberante que costumava ser discreto e imaculado treze meses antes, quando os problemas começaram.

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