O pássaro eu

A animação é do estúdio brasileiro 18bis, baseado no poema de Pablo Neruda abaixo. Dá até um arrepio ler esse texto no dia seguinte à exumação do corpo do poeta.

Chamo-me pássaro Pablo,/ ave de uma pena só,/ voador na escuridão clara/ e claridade confusa,/ minhas asas não são vistas,/ os ouvidos me retumbam/ quando passo entre as árvores/ ou por debaixo das tumbas/ qual funesto guarda-chuva/ ou como espada desnuda,/ estirado como um arco/ ou redondo como uma uva,/ voo e voo sem saber,/ ferido na noite escura,/ aqueles que vão me esperar,/ os que não querem meu canto,/ os que me querem ver morto,/ os que não sabem que chego/ e não virão para vencer-me,/ a sangrar-me, a retorcer-me/ ou beijar minha roupa rota/ pelo sibilante vento./ Por isso eu volto e vou,/ voo mas não voo, mas canto:/ pássaro furioso sou/ da tempestade tranquila.

Curiosamente, a  combinação entre pássaros, vídeo e poesia é algo recorrente neste blog (aqui e aqui). Vai saber.

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