Jesus, Maria, José

Não sou de ficar jogando pedra nos transeuntes, mas tem coisa que realmente é difícil de ignorar. Na livraria do aeroporto, resistindo à força da correnteza dos livros de autoajuda, administração, psicologia e assemelhados, topei com a dupla Jesus, o Maior Psicólogo que Já Existiu, de Mark W. Baker (Sextante, 192 págs., R$ 19,90), e Maria, a Maior Educadora da História, de Augusto Cury (Academia de Inteligência, 192 págs., R$ 19,90). Eu completaria com algo como José, o Marido Mais Compreensivo de Todos os Tempos, mas não sei se faria sucesso.

É incrível o que se escreve nesses livros. No de Jesus, vá lá, há suficiente material nos Evangelhos para adaptar os fatos à tese – eu mesmo posso pensar em algumas. Mas o que dizer desse sobre Maria, que ainda traz o subtítulo Dez Princípios que Maria Utilizou Para Educar o Menino Jesus? Numa página aberta aleatoriamente, leio:

“Maria não era impulsiva. Não reagia como a maioria das pessoas pelo pobre binômio da física: ação-reação. Como exímia observadora, ela dava atenção aos detalhes. Cada reação, cada atitude do menino Jesus era levada em alta conta. Não para prejudicar sua formação, queria educá-lo da maneira mais livre e segura possível.”

Como assim “não era impulsiva”, era “exímia observadora”, “dava atenção aos detalhes”, “levava em alta conta cada atitude do menino Jesus”?! Todo mundo sabe que as informações disponíveis sobre Maria estão entre as mais escassas dos Evangelhos – mais ainda no período da infância e juventude de Jesus, que simplesmente inexiste na Bíblia. Justamente o período em que ela teria aplicado seus “dez princípios”.

Publicado em 25/06/2010

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