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Nem só de futuro vivem as tecnologias digitais. Se o e-book se apropria das características de um suporte físico (o livro, com capa, folha de rosto e páginas) para tentar superá-lo, outros softwares caminham no sentido inverso. A ideia é recuperar as características antigas, do passado, numa lógica que não é utilitária: é apenas nostágica, naquela mescla de estética e afetividade que venho mencionando com certa frequência ((http://www.almirdefreitas.com.br/blog/?p=157), (http://www.almirdefreitas.com.br/blog/?p=7) e (http://www.almirdefreitas.com.br/blog/?p=2769)). É como se fossem fornecedores de antiquários virtuais, para quem não pode colecionar objetos físicos. O gosto pelo retrô e o vintage, contudo, é o mesmo.

Para iPod Touch, iPhone e iPad, a coleção de antiguidades é vasta. Na App Store, podem ser encontradas, por exemplo, máquinas de escrever  (no alto) como a miTypewriter para os todos os brinquedinhos (grátis na versão Lite para iPhone e US$ 0.99 para ambos).  Há também vários walkmans para tocar as músicas armazenadas no iPod e gravadores de fita cassete. Exemplos são o Thas's My Jam (acima, à esq.) e o Retro Recorder (US$ 0.99 cada um) - este último, para memos e ditados, se gaba inclusive de gravar em mono. Não faltam também, obviamente, pick ups para "tocar" vinis, como o Gramophone (acima, à dir.), que custa US$ 0.99. Na versão 1.1, ele traz a "novidade" de reproduzir os ruídos e as imperfeições dos antigos aparelhos. Tudo em nome do realismo — ou da perfeita ilusão.

*Mas há mais. Aplicativos de fotografia como o Shakelt* (grátis na versão Lite e US$ 0.99) foram desenvolvidos não só para aplicar a luz de  uma polaroid  às fotografias tiradas digitalmente como também  para reproduzir a "revelação" da imagem, que vai surgindo aos poucos na tela (esse aí do lado sou eu, vadiando nas últimas férias). O dono do iPhone ou do iPod Touch também pode mesmo chacoalhar o aparelho para a foto ir aparecendo mais rapidamente, como antigamente. Outros programas, bem conhecidos, aplicam todos os tipos de filtros e imperfeições — fotos verdes, roxas, granuladas...

A lista é grande: há calculadoras, despertadores analógicos, telefones de discar, rádios... Para iPad, há até um aplicativo, o Jamboxx (abaixo, à esq.), que imita aquele som "portátil" (os boom boxes) que os camaradas grudavam na orelha e carregavam por aí atormentado os inocentes nos ônibus.

Imagino que, no futuro, quando os e-books multimídia tiverem dominado a face da Terra, alguém vai recuperar um e-reader mais pobrinho entres os atuais, juntando uns PDFs de capa, folha de rosto e páginas, imitando o objeto que, então, terá desaparecido. Ou não?