Originalmente batizada de HybridBook, a ideia da pequena editora Melville House consiste em mesclar livro de papel e livro eletrônico, tentando apaziguar os ânimos de livreiros e jovens turcos tecnológicos. Do seguinte modo: o leitor compra o livro à antiga e encontra, nas páginas internas, um código de barras QR — como este abaixo, com o qual já andaram (http://www.almirdefreitas.com.br/blog/?p=6578) no mundo literário. Munido de um smartphone com câmera, o leitor escaneia o código e recebe um monte de extras: mapas, áudio, vídeos, fotos e outros textos relacionados. Sem o aparelho, dá também para acessar o material em um site.

*Para começar, foram lançados cinco volumes na coleção The Art of the Novella, todos eles girando em torno do tema do duelo. Os textos principais são de Giacomo Casanova, Anton Chekov, Joseph Conrad, Alexander Kuprin e Heinrich von Kleist. Os extras, chamados de Illuminations, prometem fartura. O de Conrad, por exemplo, oferece um ensaio sobre o tema de Thomas Paine, poemas de Byron, um texto de Nietzsche, outro de Jack London, um sermão da igreja contra o duelo, uma defesa por um senador americano etc., além, é claro, de material audiovisual. A editora promete mais, incluindo Bartleby, o Escrivão*, do autor que dá nome à casa.

Não creio, claro, que o modelo, será capaz de apaziguar livreiros e tecnopublishers. E acho que nem a Melville aposta nisso: o tema escolhido tá com uma senhora cara de ironia. O duelo segue.