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A semana, que começou com procrastinação ((http://www.almirdefreitas.com.br/blog/?p=5092)), termina com este Arte Poética*, de Jorge Luis Borges, declamado pelo próprio. Entre um e outro, cinco dias e uma ideia sobre o tempo. A tradução na íntegra vai abaixo.
Mirar o rio feito de tempo e água e recordar que o tempo é outro rio, saber que nos perdemos como o rio e que os rostos passam como a água.
Sentir que a vigília é um outro sonho que sonha não sonhar, e que a morte que teme nossa carne é essa morte de cada noite, que se chama sonho.
Ver no dia ou no ano um símbolo dos dias do homem e de seus anos, converter o desrespeito dos anos numa música, num rumor e um símbolo.
Ver na morte o sonho, no pôr-do-sol um triste ouro, assim é a poesia que é imortal e pobre. A poesia volta como a aurora e o pôr-do-sol.
Às vezes numas tardes uma cara nos mira lá do fundo de um espelho; a arte deve ser como esse espelho que nos revela nossa própria cara.
Contam que Ulisses, farto de prodígios, chorou de amor ao divisar sua Ítaca verde e humilde. A arte é essa Ítaca de verde eternidade, não prodígios.
Também é como o rio interminável que passa e fica e é cristal de um mesmo Heráclito inconstante, que é o mesmo e é outro, como o rio interminável.