*Com a devida licença pelo assunto mais pop que o habitual nestas plagas, a pergunta do Coringa de Heath Ledger em Cavaleiro das Trevas *poderia servir para quase toda a recente geração de super-heróis do cinema — inclusive de filmes que nem estrearam, como os acima. Cartazes e fotos de divulgação de produções como essas, de orçamento e expectativas de bilheteria milionárias, costumam ter uma dúzia de variações, mas quase sempre há uma — pelo menos uma — em que o herói posa entre pensativo e melancólico. Muitas vezes, deprimido mesmo. Não era nada habitual nem nos comics originais de décadas atrás nem nas primeiras produções de cinema. Esse papel cabia a alguns policiais durões e pistoleiros do velho oeste, mas quase nunca para esse povo de colante colorido.
Alguém já escreveu (Umberto Eco, talvez? Não lembro) que a cultura contemporânea — mesmo a do mais puro entretenimento — perdeu aquele ímpeto otimista do para-o-alto-e-avante. E já faz um tempinho: os entendidos sabem que essa mudança no semblante heroico começou nos próprios quadrinhos — eu mesmo, um quase-ignorante no assunto, lembro bem quando Frank Miller, uns 30 anos atrás, devolveu Batman às trevas em que ele se encontra agora no mundo cinematográfico. E com a qual todos parecem querer flertar.